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Extra, extra! As mulheres vão embora.

Deparei-me por esses dias com este texto da Martha Medeiros, e imediatamente me lembrei de tantas mulheres que passam pelo meu consultório, ou compartilham comigo suas dúvidas e problemas através do programa Terapia em Família, na Rádio Capital. Essas palavras são pra vocês, minhas queridas!!!

Abs.
Lelah Monteiro
11 99996-3051


As mulheres vão embora

“Toda mulher tem um homem que se foi”. Assim começa um poema que escrevi cerca de 20 anos atrás, reforçando a ideia de que eles saem para comprar cigarro e esquecem de voltar.

A sociedade sempre aceitou como natural a figura do homem que um dia se enrabicha por outra e abandona a família, ou, dizendo de forma menos cafajeste, a do homem que deixa de amar a esposa e reconstrói sua vida.

Pertencia só a eles a liberdade de ir e vir.
Tinham dinheiro no bolso e eram donos de seus narizes: às mulheres restavam as lágrimas e uma pensão para os filhos, tivessem um bom advogado.

Hoje, as mulheres também vão embora.
Não precisam alegar que irão comprar cigarro na esquina, a sinceridade é mais saudável: elas se vão porque a relação se desgastou, se vão para escapar de um parceiro agressivo, se vão porque se apaixonaram por outro, se vão porque evoluíram profissionalmente e novas oportunidades surgiram.

Se vão porque assim decidiram.
Diante da secular hegemonia masculina, nossa independência ainda é uma novidade, nem todos se acostumaram.

Mas homens esclarecidos e sagazes nos respeitam.
Sofrem, como nós sofremos com a partida deles.
Choram. A dor da perda é a mesma.
Vez que outra, os mais inconsoláveis rogam praga: “você vai ficar sozinha para o resto da vida!”.

Cuidado. Em vez de inibi-la, a ameaça poderá entusiasmá-la: o que não falta é mulher sonhando em sair de uma relação para viver só para seus livros, filmes e amigos, livre como o vento soprando nas montanhas.

Pena que não há poesia na ignorância.
Uma mulher que se vai, para muitos, é uma afronta.

Homens mal preparados para a igualdade não sabem lidar com a rejeição.
Em vez de buscarem uma terapia para ajudar, eles buscam a arma que escondem em cima do armário, buscam uma faca na gaveta da cozinha e aumentam os índices de feminicídio. É só ler os jornais, acompanhar as estatísticas. É sempre a mesma razão banal: matou porque ela teve a audácia de largá-lo.

Extra, extra! As mulheres vão embora.
Ganham o próprio salário e vão embora.
Leem, se informam, se unem, se reconhecem em outras mulheres, e se for necessário, vão embora.
São mães e vão embora sem fugir de suas responsabilidades: estão protegendo os filhos de um ambiente hostil.
Amaram seus homens, foram felizes com eles, e quando deixaram de ser, foram embora.

Nada de novo, é o que os homens sempre fizeram.
Novidade seria se eles fossem assassinados por causa disso.

Eduquemos bem nossos meninos de 8, de 10, de 15 anos: mulheres não são propriedade alheia, elas vão embora.

Cientes dessa realidade, quando adultos eles se tornarão os melhores companheiros, os mais inteligentes, os mais amorosos, aqueles que darão a suas parceiras todos os motivos para ficar.

(Martha Medeiros)

Lições da telinha: documentário “O Golpista do Tinder” ou “Quando o Príncipe não é Encantado”

Usando o aplicativo de relacionamentos Tinder, o golpista Simon Leviev exibia uma vida de luxo, condizente com o personagem que criou para si: um bilionário ligado ao ramo dos diamantes, que viajava o mundo a bordo de um jatinho por conta de seus inúmeros negócios. Esse “enredo” atraía a atenção das mulheres que, ao invés de um conto de fadas, acabavam entrando numa arapuca. Não havia luxo, não havia dinheiro, e muito menos amor. Tudo se resumia a um esquema de pirâmide, que chegou a arrancar mais de 10 milhões de dólares de suas vítimas.

Assistindo ao recém-lançado “O Golpista do Tinder”, em exibição na Netflix, sobre esse caso, muitas pessoas podem ser perguntar: como tantas mulheres caíram na conversa desse sujeito? Por mais “lábia” que ele tivesse, como se deixar enganar tanto?

Para quem está “de fora”, é fácil falar isso. Mas, quem está na situação, não percebe. Muitas vezes, a necessidade de encontrar “alguém”, o medo de ficar “sozinha”, a carência, fazem com que as pessoas (principalmente as mulheres) ignorem todos os sinais que denunciam a enrascada que estão entrando. E o “príncipe” nem precisa ser tão encantado assim, nem tampouco um magnata que comercializa pedras preciosas. Por muito menos que isso, elas entregam suas vidas, suas casas, seu dinheiro. Contraem dívidas. Tudo em nome de um amor de araque. E não adianta ninguém alertar, nem os programas jornalísticos exibirem casos semelhantes que acontecem corriqueiramente. Nada as convence que algo está errado.

Como psicoterapeuta, vejo entre minhas pacientes do consultório como a carência e a baixa autoestima podem deixar as pessoas suscetíveis a manipuladores e golpistas como esse do Tinder. Por isso, uma das minhas recomendações é: seja você mesma seu primeiro e maior caso de amor. Só gostando-se verdadeiramente você estará pronta para entrar num relacionamento com segurança e olhos abertos. Se te faltar isso, você será uma “presa fácil” para pessoas de má-fé. Talvez elas nem te levem milhões de dólares, mas com certeza te levarão algo muito mais precioso: o seu amor-próprio.

Vale a pena assistir “O Golpista do Tinder” para ver até onde esse tipo de relacionamento abusivo pode chegar. E, se quiser trabalhar questões como autoestima, carência etc., não se jogue desesperadamente num relacionamento. Busque antes o apoio de uma terapia.

Ficha técnica: O Golpista do Tinder (Original Netflix).
Ano produção: 2021.
Direção: Felicity Morris.
Classificação: 14 anos.
Gênero: documentário, crimes.

Abs,

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.

Janeiro Verde: informe-se e previna-se contra o HPV

Hoje é o último dia do mês do chamado Janeiro Verde – dedicado à conscientização sobre os cuidados e prevenção do HPV – Papilomavírus Humano – uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) provocada por um vírus que infecta a pele ou mucosas (oral, genital ou anal). Ela provoca verrugas na região genital e no ânus, que podem ser precursoras de vários tipos de câncer, como o de colo de útero, de garganta ou do ânus.

O HPV é muito comum e a probabilidade de uma pessoa sexualmente ativa ter contato com o vírus ao longo da vida é bastante grande. Não há tratamento para o HPV, apenas para as lesões que ele provoca.

Para tentar evitar o contágio, recomenda-se o uso do preservativo desde o início até ao final da relação sexual. Porém, a proteção não é 100%, pois o vírus pode estar presente em áreas da pele que não estejam cobertas pelo preservativo.

Há também três tipos de vacina que previnem o HPV, e são indicadas para aqueles que não começaram sua vida sexual ou que não tenham sido infectados.

O importante é informar-se, consultar sempre um médico, e manter os exames (Papanicolau, teste de HPV) em dia.

Havendo um diagnóstico positivo, fazer o acompanhamento com seu médico e seguir corretamente as orientações que receber.

Lembre-se: cuidar-se é um ato de amor!

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.

Bombando nas redes: o caso Medina e Yasmin

Está dando o que falar a pausa na carreira para cuidar da saúde mental anunciada pelo surfista Gabriel Medina. O fato se deu logo após ele separar-se da esposa, a modelo Yasmin Brunet. Abalado com o rompimento, o atleta declarou: “Somado ao corpo vem a mente, que também não está na melhor fase. Venho de meses desgastantes. E eu preciso olhar para mim nesse momento e me cuidar”.

Sem dúvida, Medina tomou uma decisão acertada ao fazer uma pausa para cuidar-se. É, inclusive, o que incentiva a campanha do Janeiro Branco, que está em seus últimos dias, e sobre a qual já falei aqui. Que sirva de exemplo para outras pessoas que passam por situações semelhantes.

Mas, o que aconteceu para as coisas chegarem nesse ponto?

Como terapeuta de casais, reconheço vários fatores em comum com pacientes de meu consultório. O principal deles é a forte ingerência da família na vida do casal. Havia ali uma grande disputa de poder entre a mãe e a esposa do rapaz – perceptível, inclusive, em várias declarações vazadas à imprensa. A animosidade entre as duas era evidente. Isso, aliado ao ciúme de Yasmin, acabaram fragilizando o relacionamento, e levando à separação.

Há uma frase bastante disseminada por aí que diz que “ao casarmos com alguém, casamos também com sua família”. É uma verdade, e um perigo. É normal haver conflitos de poder, diferenças – de estilo de vida, conceitos, religiosidade etc. Dependendo da personalidade das pessoas envolvidas, a situação fica insustentável. Por isso, é importante “blindar” o relacionamento, impondo limites à interferência da família na vida do casal.

Deixar claro o espaço e o papel de cada um no cenário familiar não é uma tarefa fácil. Sempre haverá resistência, cobranças, “chantagens emocionais” (no estilo “você não me ama mais”). Mas é o melhor caminho para manter saudáveis o relacionamento familiar e o do casal.

Quando as partes envolvidas não conseguem fazer isso – por dependência emocional, sensibilidade às pressões, medo de magoar etc. – recorrer a uma terapia familiar ou de casal é uma saída. Ela pode ajudar a definir os papéis de cada um nesse enredo e, com muito diálogo (e, principalmente, muita escuta), estabelecer uma convivência harmoniosa e feliz entre todos.

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.

Lições da telinha: relacionamento abusivo é tema da série “Maid”, da Netflix

Vocês já assistiram “Maid”, na Netflix? É uma série muito interessante, que mostra a trajetória de uma jovem que luta para sair de um relacionamento abusivo e recomeçar a vida ao lado de sua filhinha de três anos. Mas, para conseguir esse objetivo ela tem que vencer vários obstáculos.

Para começar, Alex (esse é o nome da personagem) deixou para trás seus sonhos e depende financeiramente do parceiro. Essa é uma das razões que a prende ao companheiro manipulador e violento.

Sem renda, o trabalho como empregada doméstica surge como opção para a mudança de vida. Mas há outras armadilhas a desviá-la de seu objetivo. Uma delas, a da dependência psicológica, que pode ser tão cruel e nociva quanto a financeira.

Com o tempo, Alex percebe que só reconectando-se com sua essência é que terá sucesso na sua jornada libertadora.

Mais do que isso eu não vou contar pra vocês, para não dar spoiler. Recomendo que assistam.

Baseada na história real de uma mulher chamada Stephanie Land (mas que poderia ser de muitas mulheres que eu e vocês conhecemos), “Maid” mostra que a resposta para aquela pergunta que muitas vezes fazemos – “por que fulana não sai fora desse relacionamento tóxico?” – pode não ser tão simples assim. E que uma rede de apoio – tanto afetiva, na figura de amigos e familiares; quanto psicológica, através de grupos de ajuda, terapeutas etc. – são fundamentais para que as vítimas desses relacionamentos abusivos possam se fortalecer e fazer suas próprias escolhas para sair da triste condição em que se encontram.

Ficha técnica: Maid (Série Original Netflix).
Ano produção: 2021.
Direção: John Wells, Helen Shaver, Nzingha Stewart, Lila Neugebauer, Quyen Tran.
Elenco: Margaret Qualley, Andie MacDowell, Nick Robinson, Anika Noni Rose, Tracy Vilar, Billy Burke, Rylea Nevaeh Whittet.
Classificação: 16 anos.

Abs.

Lelah Monteiro

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​Janeiro Branco: é hora de cuidar da mente e ser feliz

No mês de janeiro ainda trazemos frescas as lembranças das nossas resoluções do Ano Novo. Cuidar melhor de nós mesmos – incluindo aí a busca pelo equilíbrio, pela harmonia e pelo bem-estar físico e mental – é uma das metas mais escolhidas na virada. Foi justamente para aproveitar essa “disposição para mudar de vida” provocada pela chegada do novo ano que, em 2014, um grupo de profissionais da saúde de Minas Gerais criou uma campanha para incentivar as pessoas a buscarem o que as faz felizes. Algo que passa, necessariamente, pela valorização da saúde mental. Nascia, então, o JANEIRO BRANCO, mês voltado a conscientizar a sociedade sobre a questão do adoecimento emocional e como preveni-lo.

A campanha tornou-se mais oportuna ainda depois desses dois anos em que estamos às voltas com a pandemia de Covid-19 e suas consequências. Medo, isolamento social, rotinas quebradas, perdas de entes queridos, redução de ganhos, desemprego são razões mais do que suficientes para nos fazerem pensar com mais atenção na nossa saúde mental.

Nós estamos sofrendo. Nossos relacionamentos estão sofrendo.

É claro que cada pessoa reage diferentemente às situações. Tem limites diferentes. Mas é importante que se reconheça isso e que se peça ajuda quando necessário. Sem apelar para justificativas e adiamentos. Sem envergonhar-se. Sem achar que doença emocional é “frescura”. E a sociedade tem um papel importantíssimo nisso, quando para de subestimar as dores de origem emocional, quando não estigmatiza quem procura tratamento para elas, quando não perpetua estereótipos que atribuem fraqueza a quem sofre com doenças mentais. Não, isso não é mi-mi-mi.

Mas também não é necessário estar “no limite” para usufruir dos benefícios da terapia. Entregar-se à ela em situações de “calmaria” é um caminho para o autoconhecimento. Nos ajuda a encarar nossas inseguranças e lidar com nossas emoções. Nos faz mais fortes para atravessar as eventuais tempestades que surjam no horizonte.

Diz-se por aí que a depressão é “o mal do século XXI”. Vejo isso em meu consultório, com meus pacientes. E os números também corroboram essa fama. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão, e o país tem o maior número de pessoas ansiosas no mundo – 9,3% da população, o que equivale a cerca de 19 milhões de pessoas. Se repetíssemos esses estudos hoje, os resultados com certeza seriam ainda menos animadores. Agir com respeito a isso é urgente.

Fica aqui o convite: neste Janeiro Branco de 2022, aproveite o embalo da virada de ano e tome uma atitude em favor de si mesmo – cuide-se mais (inclusive da sua saúde emocional/mental)!

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.

Terapia de casal: o que é, e como funciona

É uma terapia onde um terapeuta e um casal agendam para falar das questões do seu relacionamento, diversas são as causas que trazem os casais para meu consultório.

Vou me apresentar,sou psicoterapeuta sistêmica de casal e família, sexóloga e psicanalista, tenho uma prática clínica há quase 30 anos e sou casada há mais de 20 anos.

Quando um casal deve procurar terapia?

O ideal seria já no namoro e antes dos conflitos, sim, foi isto que você leu. Na terapia estabelecemos contratos de forma leve e divertida e não em forma de D.R. (o famoso discutir a relação), tão comum quando as diferenças ficam evidentes.

Então está pensando em morar junto ou casar?

Me procure e vamos ouvir o outro e nos ouvir!

Qual o papel do terapeuta de casal, afinal?

Somos o intermediador, de forma imparcial, estimulando os cônjuges a se expressarem com mais efetividade e assim restabelecerem novas formas de respeito às necessidades de cada um dentro desta relação.

Esta frase que você acabou de ler é a base da terapia conjugal, a comunicação. Aprender a usá-la de forma objetiva, clara, amorosa, sem levantar a voz, sem repentes, sem acusações e/ou cobranças.

O que mais comumente ocorre é que os casais buscam ajuda quando o barco já virou, quando o respeito e a cumplicidade já não fazem parte da dinâmica deste casal que em muitos casos ainda se amam.

Uau, que difícil?

Sim, para mim a terapia de casal é a terapia mais trabalhosa, tem que se ter muito manejo e muita sabedoria para conduzi-la.

Os resultados são via de regra muito promissores quando o casal de fato quer melhorar esta relação, não é uma terapia longa, também não é um passe de mágica, mas posso assegurá-los, se vocês quiserem resgatar seu relacionamento, sim é muito possível fazê-lo através da terapia presencial ou online.

Ah, existem os casos que sou procurada por casais para melhorarem seu desempenho na cama, nem sempre a química é boa, nem sempre após alguns anos de matrimônio a frequência sexual perdura, nem sempre o desejo de um é a medida do outro e muitas vezes este casal, não tinha experiência sexual antes do casamento, ou até muda-se esta dinâmica após o nascimento de filhos, excesso de trabalho, traições… sim, são muitas e complexas as questões que levam os casais para meu divã.

Tenho orgulho de ter conduzido muito mais recomeços do que separações, porque a separação faz parte também do contexto desta terapia e, acredite, é fundamental buscar um terapeuta de casal se esta já foi a decisão de vocês.

Lembram que já mencionei que também sou terapeuta de família? Sim, a dissolução de uma união envolve muitas questões: filhos, pets, patrimônio… uma sociedade que está sendo desfeita e merece uma condução harmoniosa e com menos danos a todos.

A participação de ambos na terapia e a mudança de hábitos e padrões é fundamental, melhores serão os resultados se de fato houver honestidade e empenho nesta reconstrução, em muitos casos é necessário algumas sessões individuais também.

Na terapia de casal, ajustamos a dinâmica do relacionamento, não as questões profundas individuais.

Alguns casais finalizam a sessão com sucesso e alguns retornam depois de algum tempo para melhorar outra questão de forma pontual.

Lembrando que o sigilo profissional é uma premissa de todas as terapias, também sugerimos que vocês tratem as questões no consultório apenas, não expondo seus parceiros para familiares ou amigos.

Sim, é comum, um dos cônjuges resistir a terapia e acreditar que com o tempo tudo irá resolver sozinho, este é um dos grandes erros que os casais tomam, com o tempo questões pequenas ficam gigantes e o desgaste ocorre.

Terapia de casal é muito cara?

O que é mais caro, um divórcio, uma vida infeliz, desentendimentos frequentes?

Então, quais os principais motivos que levam um casal a buscar a terapia?

Infelizmente, o mesmo que os separa, então não acredite que se você marcar uma viagem, apimentar a relação, mudar de casa, ter filhos ou ter outro filho, os conflitos se resolverão por si só, é importante uma mudança há dois.

Quais são as queixas mais comuns na terapia de casal?

Infidelidade/ciúmes

Excesso de cobrança e controle

Aumento das discussões/diferenças 

Discordância na forma de educar os filhos/dificuldade com enteados/as

Desequilíbrio financeiro

Problemas com Familiares

Dificuldades sexuais como: diminuição da frequência sexual, falta de desejo, dificuldade de chegar ao orgasmo.

Rotina, falta de compatibilidade após alguns anos.

Outubro Rosa de sexualidade

Como vem acontecendo no Brasil desde 2002, quando pela primeira vez o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, SP, foi tingido por luzes cor-de-rosa, neste mês celebramos o Outubro Rosa. Governos, entidades e sociedade civil se unem pela conscientização sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama e, mais recentemente, também do câncer de colo do útero.

Campanhas publicitárias; matérias em todas as mídias; distribuição de cartilhas educativas; eventos técnicos, debates e apresentações; mutirões de exames – todas essas ações se sucedem, mas raramente o tema “sexualidade” faz parte de tudo isso. É como se a simples menção da palavra “câncer” automaticamente apagasse de qualquer contexto esse aspecto tão importante da vida de qualquer ser humano.

É justamente nesse “vácuo” que eu, como sexóloga, psicanalista e fisioterapeuta pélvica quero dar minha contribuição. Atuo há mais de 25 anos com educação e terapia ligadas ao tema, e sei da importância de estar bem com o próprio corpo e a própria sexualidade tanto na prevenção quanto no enfrentamento do câncer.

Muito se fala sobre o autoexame para reconhecer sinais de possíveis mudanças que denunciariam um câncer de mama, por exemplo. Isso implica em conhecer-se, tocar-se. E muitas mulheres, por desconhecimento, vergonha, tabus, sequer isso fazem. Ir a um ginecologista, fazer uma mamografia, então, fica ainda mais longe de sua realidade e as torna ainda mais vulneráveis.

A pesquisa “Expectativa da Mulher Brasileira Sobre Sua Vida Sexual e Reprodutiva: As Relações dos Ginecologistas e Obstetras Com Suas Pacientes”*, divulgada em fevereiro de 2019 apontou que 12% das entrevistadas nunca foi ou não costuma ir ao ginecologista; ou tinha ido ao especialista há mais de um ano (20%). Numa projeção, a soma desses números chega a 26,7 milhões de mulheres! As principais razões alegadas para esse comportamento são: achar que está saudável e não precisa (31%); não considerar importante (22%), ter vergonha (11%); não gostar (4%); ter medo de detectar algo (7%). Em todas elas percebe-se, em última instância, uma dificuldade de conhecer o próprio corpo e lidar com ele, enxergar-se. Por isso a educação para a sexualidade é uma importante ferramenta de empoderamento da mulher frente à própria saúde.

Outro ponto que merece a atenção é como fica a vida sexual da mulher durante ou após um tratamento de câncer: acho que sou a única profissional da área de saúde que insiste na importância do gel vaginal. Fáceis de usar, disponíveis nos postos de saúde, trazem um conforto imenso, pois toda a mulher em tratamento de câncer acaba tendo secura vaginal e até dificuldade com a saída do xixi. A única recomendação dada é: beba mais água. Como se só isso importasse.

E em casos em que a cirurgia de mastectomia se torna necessária, trabalhar a questão da sexualidade também é o melhor caminho para reapropriar-se do corpo e encontrar novas formas de lidar com ele e com os outros, principalmente com o parceiro. Acima de tudo, é um caminho para recuperar a autoestima.

Então, neste Outubro Rosa, vamos falar também de sexualidade, OK?

Um abraço, Lelah Monteiro

(*)  realizada em dezembro/18 por Febrasgo – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – e Instituto Datafolha.

Olá, meu nome é Lelah e eu sou sexóloga

Uma das coisas mais comuns que acontecem quando eu me apresento a alguém e digo que sou sexóloga é ver uma expressão de “o quê?”, um certo “ar” de constrangimento ou um risinho irônico, zombeteiro, acompanhado de algum comentário “engraçadinho”, de duplo sentido. Em todos os casos, fica exteriorizado o total desconhecimento, pela maioria das pessoas, dessa importante especialidade da área da saúde.

É por essa razão que hoje eu resolvi fazer um texto justamente falando disso – espero que, ao final da leitura, as pessoas conheçam melhor os benefícios que um acompanhamento especializado nessa área pode trazer para suas vidas, e o encarem com mais naturalidade.

Pra começar… o que é Sexologia?

Antes de mais nada, é importante conceituar o que é essa especialidade. A Sexologia é uma área do conhecimento que se dedica a estudar e entender o comportamento sexual dos seres humanos.

Além do conservadorismo moral e religioso, que vê tudo relacionado a “sexo” como tabu, parte da estranheza das pessoas com o tema vem do fato de que se trata de uma especialidade bastante nova. Somente a partir do final do século XIX é que começaram a surgir estudos mais estruturados sobre a sexualidade. Nesses pouco mais de 130 anos, nomes como Richard von Krafft-Ebing  (psiquiatra), Albert Moll (psiquiatra), Havelock Ellis (médico e psicólogo), Sigmund Freud (médico neurologista e psiquiatra), Wilhelm Reich (médico, psicanalista e cientista natural), Alfred Charles Kinsey (biólogo), William H. Masters (ginecologista), Virginia E. Johnson (psicóloga) entre outros, destacaram-se no trabalho de criar um arcabouço teórico para essa área do conhecimento.

Analisando os currículos desses estudiosos, é possível constatar uma característica da Sexologia: ela é, acima de tudo uma área de atuação interdisciplinar. Ou seja, ela faz uso de conceitos oriundos de várias especialidades – medicina, psicologia, ciências sociais etc. -, estabelece um vínculo entre eles, e cria sua base de conhecimento.

Quem pode ser chamado de “sexólogo”?

Não existe uma “Faculdade de Sexologia”. A pessoa interessada em atuar nessa área precisa ter uma graduação prévia – normalmente em medicina, psicologia ou outros cursos do campo da saúde – e depois fazer uma especialização em Educação Sexual, Terapia Sexual ou Sexologia.

Só depois de percorrido esse caminho é que a pessoa terá sua habilitação e poderá exercer a atividade de “sexóloga”. É muito importante estar atento a isso. Nem todos os profissionais que se dizem sexólogos, montam consultório e se apresentam na mídia como tal, tem a formação necessária.

No meu caso, fiz graduação em Fisioterapia na Universidade Estadual de Londrina. No CBF – Centro Científico e Cultural Brasileiro de Fisioterapia (SP) aprofundei meus estudos sobre Fisioterapia Pélvica. Complementei minha formação na Escola de Psicanálise de São Paulo, onde especializei-me em Psicanálise e em Sexologia. Mas não foi só isso: formei-me Psicoterapeuta Sistêmica de Casais e de Família no Instituto Paulista de Terapia de Família; Especialista em Sexualidade pelo Instituto Sedes Sapientae; Terapeuta Sexual pelo Prosex/USP. A tudo isso agreguei a formação em Hipnose Clínica, que utilizo no tratamento de fobias, aversões e compulsões sexuais, por exemplo. E sigo me aprofundando nos vários aspectos e abordagens que influenciam minha prática como sexóloga clínica. Afinal, como em todas as áreas do conhecimento humano, a constante busca de atualização e aperfeiçoamento é que faz o bom profissional.

Em quais situações o sexólogo pode ajudar?

A atividade do sexólogo é bastante abrangente, e envolve tudo que diz respeito ao comportamento sexual humano, seja no campo físico, seja no psíquico. Sua atuação acompanha cada fase das nossas vidas, pois a sexualidade está presente em todas elas, manifestando-se de formas diferentes e exigindo abordagens específicas. Seu papel é importante não somente para resolver problemas, mas, principalmente, para evitar que eles apareçam. Abaixo, traço uma espécie de “linha do tempo” com as situações mais comuns em que a figura do sexólogo é fundamental.

• Na infância e adolescência, o profissional colabora com a família e a escola principalmente como educador sexual, trabalhando progressivamente, de acordo com a faixa etária, aspectos como:

– autoestima;

– conhecimento do próprio corpo e dos cuidados que devem ser tomados para com ele;

– consciência do que é abuso, e de como reagir a ele;

– noções de saúde reprodutiva, visando evitar a gravidez precoce;

– noções de sexo seguro, para reduzir os riscos de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) e AIDs;

– descoberta da própria sexualidade;

– respeito à diversidade;

etc.Em casos específicos, em que o comportamento da criança ou adolescente exija, o sexólogo poderá auxiliar como terapeuta (casos de distúrbios de comportamento causados por traumas, histórico familiar de abuso, bullying, entre outros).

• Na idade adulta, ajuda a trabalhar situações como:

– relações sexuais difíceis ou insatisfatórias;

– dúvidas sobre orientação sexual e identidade de gênero;

– problemas e/ou travas sexuais em geral, resultantes de questões passadas que não foram resolvidas;

– vício em pornografia e sexo, compulsão sexual;

– curiosidade, fetiches e estabelecimento de novos acordos de relacionamento (como swing, poliamor, relacionamento aberto); 

– disfunções femininas comuns – dificuldade em atingir o orgasmo, anorgasmia, dispareunia, vaginismo, desejo sexual hipoativo;

– disfunções masculinas comuns – dificuldade em manter a ereção, ejaculação precoce;

etc.

• Na maturidade, contribui para superar as mudanças trazidas pela menopausa e andropausa, tanto no aspecto físico quanto no emocional, como:

– queda da autoestima;

– redução da libido; 

– alterações de humor;

– desequilíbrio hormonal;

– ressecamento vaginal, no caso das mulheres, o que torna as relações sexuais mais dolorosas;

– disfunção erétil, no caso dos homens;

etc.

Nessa fase, é muito comum que pessoas (principalmente mulheres) recém-separadas ou viúvas após longos casamentos, procurem apoio profissional para vencer a insegurança e voltar a se relacionar.

Há, ainda, situações especiais em que a presença do sexólogo faz toda a diferença: quando envolvem portadores de algum tipo de deficiência (física, sensorial, intelectual); ou em pacientes de câncer de mama, de próstata (e outras doenças). O senso comum ignora que, a despeito das deficiências ou dos problemas de saúde essas pessoas têm, SIM, necessidades sexuais, e que seu bem-estar será muito maior se esse aspecto de suas vidas deixar de ser relegado ao esquecimento. Cabe ao profissional especializado justamente ajudar essas pessoas a recuperarem (ou conquistarem) sua identidade de indivíduos sexualmente ativos e felizes.

Como funciona o trabalho do sexólogo?

O trabalho do sexólogo é realizado em sessões de terapia, nas quais o paciente fala abertamente sobre seus desejos, dúvidas, problemas, bloqueios e incômodos relacionados ao sexo. Normalmente essas sessões são individuais. Quando, porém, as questões a serem trabalhadas envolvem o relacionamento a dois, as sessões também podem envolver o casal. Tudo depende de uma escolha das partes e da estratégia terapêutica adotada pelo profissional.

Concluindo…

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), para que as pessoas tenham uma boa qualidade de vida, é necessário que mantenham em equilíbrio esses quatro pilares: família, trabalho, lazer e sexo. Então, parafraseando aqueles adesivos, eu recomendo: “consulte sempre um sexólogo”. E seja feliz!

Um abraço,

Lelah Monteiro

A terapia de casal em tempos de pandemia

Vivemos um momento difícil para os relacionamentos, por conta da pandemia do coronavírus, que alterou radicalmente a rotina das famílias. Home office, crianças em casa o tempo todo (já que as aulas presenciais estão suspensas), isolamento social, redução das atividades de lazer, acúmulo de tarefas, queda dos rendimentos, medo, incerteza quanto ao futuro, luto – tudo isso têm aumentado enormemente os conflitos entre casais. A busca de terapia, nesse cenário, tem um papel ainda mais importante. E a necessidade de manter a quarentena não é nenhum impeditivo, já que, além das sessões presenciais, a maioria dos terapeutas estão disponibilizando atendimentos online.

Porém, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é uma “terapia de casal”, e acabam não procurando ajuda. O desconhecimento faz com que problemas que poderiam ser resolvidos se tornem barreiras intransponíveis, minando de vez um relacionamento.

Quando um casal deve procurar terapia?

Está errado pensar que o terapeuta de casal só deve ser procurado quando o desacerto entre o casal já está instalado. O ideal seria que, já no namoro e antes dos conflitos, o casal se preocupasse em ter um apoio para manter um relacionamento feliz e sadio. Sim, foi isso mesmo que você leu. Na terapia estabelecemos contratos de forma leve e divertida e não em forma DRs (as famosas “discussões da relação”), tão comuns quando as diferenças ficam evidentes.

Porém, o que comumente ocorre é que os casais só buscam ajuda quando o barco já virou. Quando o respeito e a cumplicidade já não fazem mais parte da dinâmica do casal, embora, em muitos casos ele ainda se ame.

Então, está pensando em morar junto ou casar? Use a terapia para ouvir o outro, se ouvir e, assim, iniciar uma vida nova com todos os “pingos nos is”.

Qual o papel do terapeuta de casal?

O papel do terapeuta é intermediar, de forma imparcial, a conversa do casal, estimulando as duas partes a se expressarem com mais efetividade. Assim são estabelecidos parâmetros de respeito às necessidades de cada um dentro da relação.

A comunicação é a base da terapia conjugal. Leia de novo a frase anterior e não esqueça: a comunicação é a base da terapia conjugal. O casal deve aprender a usá-la de forma objetiva, clara, amorosa, sem levantar a voz, sem repentes, sem acusações ou cobranças. Cabe ao terapeuta conduzir o casal para esse nível de interação.

É um processo difícil?

Sim, para mim, a terapia de casal é a terapia mais trabalhosa.  O terapeuta tem que ter muita sensibilidade e muita sabedoria para conduzi-la.

Os resultados são via de regra muito promissores quando o casal de fato quer melhorar a relação. Não é uma terapia longa, porém nada se resolve num passe de mágica. Mas, se as partes envolvidas realmente quiserem resgatar seu relacionamento, é possível fazê-lo através da terapia presencial ou online. E vale muito à pena.

Quais são as queixas mais comuns na terapia de casal?

Os aspectos mais comuns que levam um casal à terapia são:

  • infidelidade; 
  • ciúmes; 
  • excesso de cobrança e controle; 
  • acirramento das diferenças e das discussões que dela resultam; 
  • discordância na forma de educar os filhos; 
  • dificuldade no relacionamento com enteados; 
  • desequilíbrio financeiro; 
  • problemas com familiares 
  • dificuldades sexuais como: diminuição da frequência sexual, falta de desejo, dificuldade de chegar ao orgasmo; 
  • rotina; 
  • desgaste e falta de compatibilidade após anos de união.

A terapia trata também das questões sexuais do casal?

Sim, muitos casais me procuram para melhorar seu desempenho sexual. Embora exista amor entre eles, nem sempre a química na cama é boa. Há casos em que, após alguns anos de matrimônio, a frequência sexual diminui, há um descompasso entre o desejo de um e de outro. Em outras situações, o casal não tinha experiência sexual antes do casamento e não consegue se realizar sexualmente. A chegada dos filhos, o excesso de trabalho, as crises financeiras, e o estresse também são fatores que mudam a dinâmica do relacionamento, e refletem na qualidade do sexo. São muitas e complexas as questões que levam os casais para o divã, mas o importante é que eles as reconheçam e tomem a decisão de enfrentá-las.

Tenho orgulho de ter conduzido muito mais recomeços do que separações. Sim, porque a separação também faz parte também do contexto da terapia. É fundamental buscar ajuda também quando a decisão é pelo rompimento.

Lembram que mencionei que também sou terapeuta de família? Então: a dissolução de uma união envolve muitas questões, além do próprio casal: filhos, pets, patrimônio… É uma “sociedade” que está sendo desfeita e merece uma condução harmoniosa e com o mínimo de danos para todos os envolvidos.

Quais são os requisitos para uma terapia ser bem sucedida?

O compromisso de ambas as partes na terapia e a mudança de hábitos e padrões é fundamental para alcançar os resultados desejados. É preciso haver honestidade e empenho nesta reconstrução.

O que não significa que, em determinados casos, não sejam recomendadas sessões em separado. Na terapia de casal, ajustamos a dinâmica do relacionamento, não as questões individuais. Alguns casais finalizam a sessão com sucesso e retornam depois de algum tempo para melhorar essas questões de forma pontual.

Não custa lembrar que o sigilo profissional é a premissa de todas as terapias. Além disso é importante que as questões do casal sejam tratadas somente no consultório. Nada de expor o parceiro em conversas com familiares ou amigos.

E se houver resistência de uma das partes à terapia?

É comum um dos cônjuges resistir à terapia, acreditar que tudo “é uma fase”, e que os problemas com o tempo se resolverão sozinhos. Este é um dos grandes erros que os casais cometem. Como já disse anteriormente, com o tempo as questões pequenas ficam gigantes e o desgaste se torna inevitável.

Ah, e não caiam no erro de substituir a terapia por uma viagem a dois, por acessórios para apimentar a relação, por uma mudança de casa ou por ter filhos. Nada disso ajudará a resolver a situação.

Terapia de casal é muito cara?

Agora eu que te pergunto: o que é mais caro – um divórcio, uma vida infeliz, desentendimentos frequentes, ou uma terapia?

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Um abraço,
Lelah Monteiro