Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia, em 2014, constatou que 59% dos homens já tiveram problema de ereção. Desses, 12% convivem com a dificuldade de forma recorrente. A disfunção erétil, popularmente conhecida como impotência sexual, é a dificuldade persistente de obter e/ou manter uma ereção suficiente para permitir a atividade sexual adequada, que possibilite a penetração vaginal. E isso não deve ser confundido com o fato de, eventualmente, o homem falhar.

“A disfunção erétil tem causas orgânicas e psicogênicas. Dentre as orgânicas, destacamos: diabetes, hipertensão arterial, hábitos errôneos do tabagismo e do uso de drogas, cirurgias pélvicas com lesões dos nervos responsáveis pela ereção, uso de determinados medicamentos, entre outros. A causa psicogênica corresponde a aproximadamente metade dos casos”, explica o urologista e professor universitário Rui Nogueira Barbosa, coordenador da área de andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia – Secção São Paulo.

“A disfunção erétil pode ser, inclusive, um sinal de alerta do corpo de que algo não está bem. O diabetes altera as atividades cardiovasculares, causando problemas de má circulação e também lesões nos vasos sanguíneos, que afetam o fluxo sanguíneo para o pênis e, consequentemente, causam impotência. No caso do tabagismo, dificilmente quem chegou aos 50 ou 60 anos deixa de apresentar impotência sexual, pois o efeito do tabaco é o mesmo de uma diabetes ou hipertensão não controlados: as substâncias contidas no tabaco atuam fechando as artérias, dificultando a passagem de sangue e a ereção”, alerta o urologista Paulo Rodrigues, do Hospital 9 de Julho.
A chegada da andropausa também afeta a vida sexual do homem. Ela se apresenta com a diminuição do desejo sexual e da qualidade das ereções. A partir dos 30 anos o nível de testosterona começa a cair em torno de 1% ao ano, sendo que abaixo dos 60 anos 7% dos homens apresentaram os sintomas da andropausa. Já nos homens com mais de 60 anos a incidência da doença atinge cerca de 20% deles.
“Normalmente os homens de meia idade a idosos são os mais atingidos pela impotência, devido ao envelhecimento das estruturas anatômicas (vasos e nervos) com o decorrer da idade, embora hoje a maior pressão econômico-social seja um dos fatores do aumento da incidência do fator psicogênico da disfunção erétil. Antes de indicar o tratamento é necessária uma avaliação clínica geral, exames gerais e uma história clínica pormenorizada”, pontua Rui Nogueira Barbosa.
“A prevenção é basicamente válida para todas as doenças pertinentes ao ser humano, ou seja: fazer exercícios físicos, alimentar-se bem, não fumar, não ingerir bebida alcoólica em excesso, manter o peso dentro da normalidade, dormir bem, manter hábitos saudáveis, controlar o diabetes e a hipertensão arterial”, recomenda o urologista Antônio de Moraes Júnior, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia.

Tratamento “Hoje em dia o tratamento é feito, basicamente, com uso de medicação via oral (existindo várias drogas no mercado). Em caso de não resposta usa-se medicação injetada pelo próprio paciente no pênis (terapia intracavernosa), e em último caso a prótese peniana. Sempre associando-se terapia sexual, quando o fator for psicogênico.
As injeções e próteses também são opções para quem não pode tomar os medicamentos via oral”, esclarece o urologista Rui Nogueira Barbosa.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, determinar a origem da disfunção erétil é fundamental para direcionar o tratamento. “Normalmente os medicamentos via oral não podem ser utilizados com vasodilatadores coronarianos, os chamados nitratos, utilizados para angina (dor no peito). Verifique com seu médico antes de se iniciar o uso de qualquer medicação. Inclusive para esclarecer as interações medicamentosas. Os medicamentos orais podem provocar sintomas gastrointestinais como náuseas e vômitos, hiperemia facial, congestão nasal e dor muscular”, conclui o urologista.

“A prótese peniana é um excelente recurso para restaurar a capacidade de sustentação peniana, quando a função erétil é perdida por algum motivo. Elas podem ser infláveis ou maleáveis, sendo escolhida pelo paciente a partir de avaliação médica, levando em conta os detalhes técnicos de cada caso. De um modo geral, o sucesso sempre vem associado ao grau de motivação e melhoria da autoestima do homem, pois o uso da prótese faz com que ele recupere a sua atividade sexual, podendo ter uma vida mais plena. Outro fator que tem grande impacto é o nível de comprometimento da ereção. Quanto maior a motivação do homem e quanto mais comprometida estiver a ereção, especialmente em situações que já tenham sido tratadas anteriormente sem sucesso, maior será o impacto positivo obtido pela colocação da prótese”, destaca o urologista Roberto Cerqueira Campos.

Jovens Uma pesquisa da Medley Saúde Sexual Masculina aponta que metade dos homens esconde da parceira que usa medicamento para impotência sexual. Outra constatação é que, entre os que têm relacionamento estável e os solteiros, 66% usam medicamento em mais da metade das vezes que têm uma relação sexual. Ainda entre os adultos jovens, 40% consomem pílulas com o objetivo de manter diversas ereções num curto espaço de tempo para prolongar o prazer sexual e satisfazer a parceira.
O que realmente preocupa os profissionais é quantidade de jovens que usam medicamentos sem uma real necessidade. “É utilizar um instrumento desnecessário num tecido saudável e funcionante. Com o tempo e uso prolongado desnecessário, certamente lesará o órgão antes saudável”, avalia Rui.

Terapia “O que mais leva o homem a falhar é a insegurança dele. Falta de confiança e excesso de ansiedade. Às vezes ele é seguro, mas na ansiedade ele falha na ‘hora H’. A parceira pode ajudar com relaxamento, uma boa conversa. Trabalhar juntos essa questão emocional de que ele pode, ele consegue. Tirar a palavra tentar e colocar ‘eu vou conseguir’. Trabalhar a autoconfiança. E a parceira levar numa boa, sem insistir, voltar outro momento, recomeçar. Afinal, acontece com todo mundo”, aponta a psicóloga e sexóloga Lelah Monteiro.
Mas será que a impotência atinge também os homossexuais? A sexóloga diz que atinge os dois públicos igualmente. “Eu atendo bastante homossexual que tem uma boa relação de afinidade, mas que depois de um tempo, de uma crise, passa a ter problemas. O que leva a falhar é a crise, as questões psicológicas (tirando as questões físicas), e nisso o ser humano é igual. É necessário acreditar novamente em si e na relação. Em alguns casos procurando uma ajuda profissional, um terapeuta de família.”
“Quando o problema não é clínico a fisioterapia urológica é uma das grandes respostas. Ela vai trabalhar a parte muscular junto com o método de eletroestimulação. Se não tiver doença grave, ajuda a melhorar a irrigação. Terapia de casal ou individual, com terapia sexual também tem bons resultados. Eu acredito na associação do físico com o psíquico”, finaliza Lelah.

 

Matéria para a Revista Domínios

Leave a Reply