relacionamento abusivo

Relacionamento abusivo não é uma questão de classe social

Na semana passada, a chef Paola Carosella declarou que seu casamento havia chegado ao fim devido a comportamentos machistas e de abuso psicológico do ex-marido.

Para muita gente, isso causou surpresa. Afinal, Paola é uma mulher “empoderada”, bem-sucedida profissionalmente – muito diferente do perfil que normalmente se associa a alguém que sofra com esse tipo de problema. Mas, como ela mesma ressaltou em entrevistas que concedeu à mídia “quando você está dentro disso e ama a pessoa, você não percebe muito bem o que está acontecendo, a manipulação”.

O relacionamento abusivo não acontece somente com mulheres das camadas humildes da população, com baixo nível de instrução ou dependentes financeiramente de seus companheiros. Ser independente – no comportamento e financeiramente – e ter fama ou sucesso, também pode ser gatilho para comportamentos tóxicos e manipulação dentro do relacionamento. Como a chef declarou “(…) o meu sucesso, o fato de eu ser feliz com a vida que eu tinha. Eu faço muitas coisas e eu gosto muito das coisas que eu faço e eu acho que isso incomodava muito ele. Ele não falava isso, mas esse incômodo chegava a mim na forma como ele se expressava, de uma maneira meio manipuladora, sabe? Que fazia eu me sentir mal por aquilo (…)”.

Reconhecer os sinais desse comportamento foi difícil para Paola, assim como é para a maioria das mulheres. Fica mais fácil quando a saúde emocional é bem trabalhada, quando a autoestima está lá em cima. O que nem sempre acontece.

E do lado do homem, é preciso analisar o que motiva esse “incômodo” com o brilho da mulher. Insegurança, conceitos ultrapassados sobre virilidade? É algo que também precisa ser trabalhado.

Em ambos os casos, a terapia é um caminho a se procurar. Seja ela individual, seja ela de casal. Como psicoterapeuta e sexóloga, vejo os resultados em meu consultório, com meus pacientes.

Abrir os olhos – para si mesmo, para o relacionamento, para o parceiro – é a melhor forma de não ferir, nem se deixar ser ferido pelo outro. De saber até que ponto vale insistir no caminho a dois; ou quando é melhor seguir sozinho.

Abs.
Lelah Monteiro
(se estiver passando por uma situação parecida e quiser experimentar uma terapia, entre em contato comigo pelo Whatsapp 11 99996-3051)

Lições da telinha: relacionamento abusivo é tema da série “Maid”, da Netflix

Vocês já assistiram “Maid”, na Netflix? É uma série muito interessante, que mostra a trajetória de uma jovem que luta para sair de um relacionamento abusivo e recomeçar a vida ao lado de sua filhinha de três anos. Mas, para conseguir esse objetivo ela tem que vencer vários obstáculos.

Para começar, Alex (esse é o nome da personagem) deixou para trás seus sonhos e depende financeiramente do parceiro. Essa é uma das razões que a prende ao companheiro manipulador e violento.

Sem renda, o trabalho como empregada doméstica surge como opção para a mudança de vida. Mas há outras armadilhas a desviá-la de seu objetivo. Uma delas, a da dependência psicológica, que pode ser tão cruel e nociva quanto a financeira.

Com o tempo, Alex percebe que só reconectando-se com sua essência é que terá sucesso na sua jornada libertadora.

Mais do que isso eu não vou contar pra vocês, para não dar spoiler. Recomendo que assistam.

Baseada na história real de uma mulher chamada Stephanie Land (mas que poderia ser de muitas mulheres que eu e vocês conhecemos), “Maid” mostra que a resposta para aquela pergunta que muitas vezes fazemos – “por que fulana não sai fora desse relacionamento tóxico?” – pode não ser tão simples assim. E que uma rede de apoio – tanto afetiva, na figura de amigos e familiares; quanto psicológica, através de grupos de ajuda, terapeutas etc. – são fundamentais para que as vítimas desses relacionamentos abusivos possam se fortalecer e fazer suas próprias escolhas para sair da triste condição em que se encontram.

Ficha técnica: Maid (Série Original Netflix).
Ano produção: 2021.
Direção: John Wells, Helen Shaver, Nzingha Stewart, Lila Neugebauer, Quyen Tran.
Elenco: Margaret Qualley, Andie MacDowell, Nick Robinson, Anika Noni Rose, Tracy Vilar, Billy Burke, Rylea Nevaeh Whittet.
Classificação: 16 anos.

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.