sexologia

OLÁ, MEU NOME É LELAH E SOU SEXÓLOGA

Uma das coisas mais comuns que acontecem quando eu me apresento a alguém e digo que sou sexóloga é ver uma expressão de “o quê?”, um certo “ar” de constrangimento ou um risinho irônico, zombeteiro, acompanhado de algum comentário “engraçadinho”, de duplo sentido. Em todos os casos, fica exteriorizado o total desconhecimento, pela maioria das pessoas, dessa importante especialidade da área da saúde.

É por essa razão que hoje eu resolvi fazer um texto justamente falando disso – espero que, ao final da leitura, as pessoas conheçam melhor os benefícios que um acompanhamento especializado nessa área pode trazer para suas vidas, e o encarem com mais naturalidade.

Pra começar… o que é Sexologia?

Antes de mais nada, é importante conceituar o que é essa especialidade. A Sexologia é uma área do conhecimento que se dedica a estudar e entender o comportamento sexual dos seres humanos.

Além do conservadorismo moral e religioso, que vê tudo relacionado a “sexo” como tabu, parte da estranheza das pessoas com o tema vem do fato de que se trata de uma especialidade bastante nova. Somente a partir do final do século XIX é que começaram a surgir estudos mais estruturados sobre a sexualidade. Nesses pouco mais de 130 anos, nomes como Richard von Krafft-Ebing  (psiquiatra), Albert Moll (psiquiatra), Havelock Ellis (médico e psicólogo), Sigmund Freud (médico neurologista e psiquiatra), Wilhelm Reich (médico, psicanalista e cientista natural), Alfred Charles Kinsey (biólogo), William H. Masters (ginecologista), Virginia E. Johnson (psicóloga) entre outros, destacaram-se no trabalho de criar um arcabouço teórico para essa área do conhecimento.

Analisando os currículos desses estudiosos, é possível constatar uma característica da Sexologia: ela é, acima de tudo uma área de atuação interdisciplinar. Ou seja, ela faz uso de conceitos oriundos de várias especialidades – medicina, psicologia, ciências sociais etc. -, estabelece um vínculo entre eles, e cria sua base de conhecimento.

Quem pode ser chamado de “sexólogo”?

Não existe uma “Faculdade de Sexologia”. A pessoa interessada em atuar nessa área precisa ter uma graduação prévia – normalmente em medicina, psicologia ou outros cursos do campo da saúde – e depois fazer uma especialização em Educação Sexual, Terapia Sexual ou Sexologia.

Só depois de percorrido esse caminho é que a pessoa terá sua habilitação e poderá exercer a atividade de “sexóloga”. É muito importante estar atento a isso. Nem todos os profissionais que se dizem sexólogos, montam consultório e se apresentam na mídia como tal, tem a formação necessária.

No meu caso, fiz graduação em Fisioterapia na Universidade Estadual de Londrina. No CBF – Centro Científico e Cultural Brasileiro de Fisioterapia (SP) aprofundei meus estudos sobre Fisioterapia Pélvica. Complementei minha formação na Escola de Psicanálise de São Paulo, onde especializei-me em Psicanálise e em Sexologia. Mas não foi só isso: formei-me Psicoterapeuta Sistêmica de Casais e de Família no Instituto Paulista de Terapia de Família; Especialista em Sexualidade pelo Instituto Sedes Sapientae; Terapeuta Sexual pelo Prosex/USP. A tudo isso agreguei a formação em Hipnose Clínica, que utilizo no tratamento de fobias, aversões e compulsões sexuais, por exemplo. E sigo me aprofundando nos vários aspectos e abordagens que influenciam minha prática como sexóloga clínica. Afinal, como em todas as áreas do conhecimento humano, a constante busca de atualização e aperfeiçoamento é que faz o bom profissional.

Em quais situações o sexólogo pode ajudar?

A atividade do sexólogo é bastante abrangente, e envolve tudo que diz respeito ao comportamento sexual humano, seja no campo físico, seja no psíquico. Sua atuação acompanha cada fase das nossas vidas, pois a sexualidade está presente em todas elas, manifestando-se de formas diferentes e exigindo abordagens específicas. Seu papel é importante não somente para resolver problemas, mas, principalmente, para evitar que eles apareçam. Abaixo, traço uma espécie de “linha do tempo” com as situações mais comuns em que a figura do sexólogo é fundamental.

• Na infância e adolescência, o profissional colabora com a família e a escola principalmente como educador sexual, trabalhando progressivamente, de acordo com a faixa etária, aspectos como:

– autoestima;

– conhecimento do próprio corpo e dos cuidados que devem ser tomados para com ele;

– consciência do que é abuso, e de como reagir a ele;

– noções de saúde reprodutiva, visando evitar a gravidez precoce;

– noções de sexo seguro, para reduzir os riscos de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) e AIDs;

– descoberta da própria sexualidade;

– respeito à diversidade;

etc.Em casos específicos, em que o comportamento da criança ou adolescente exija, o sexólogo poderá auxiliar como terapeuta (casos de distúrbios de comportamento causados por traumas, histórico familiar de abuso, bullying, entre outros).

• Na idade adulta, ajuda a trabalhar situações como:

– relações sexuais difíceis ou insatisfatórias;

– dúvidas sobre orientação sexual e identidade de gênero;

– problemas e/ou travas sexuais em geral, resultantes de questões passadas que não foram resolvidas;

– vício em pornografia e sexo, compulsão sexual;

– curiosidade, fetiches e estabelecimento de novos acordos de relacionamento (como swing, poliamor, relacionamento aberto); 

– disfunções femininas comuns – dificuldade em atingir o orgasmo, anorgasmia, dispareunia, vaginismo, desejo sexual hipoativo;

– disfunções masculinas comuns – dificuldade em manter a ereção, ejaculação precoce;

etc.

• Na maturidade, contribui para superar as mudanças trazidas pela menopausa e andropausa, tanto no aspecto físico quanto no emocional, como:

– queda da autoestima;

– redução da libido; 

– alterações de humor;

– desequilíbrio hormonal;

– ressecamento vaginal, no caso das mulheres, o que torna as relações sexuais mais dolorosas;

– disfunção erétil, no caso dos homens;

etc.

Nessa fase, é muito comum que pessoas (principalmente mulheres) recém-separadas ou viúvas após longos casamentos, procurem apoio profissional para vencer a insegurança e voltar a se relacionar.

Há, ainda, situações especiais em que a presença do sexólogo faz toda a diferença: quando envolvem portadores de algum tipo de deficiência (física, sensorial, intelectual); ou em pacientes de câncer de mama, de próstata (e outras doenças). O senso comum ignora que, a despeito das deficiências ou dos problemas de saúde essas pessoas têm, SIM, necessidades sexuais, e que seu bem-estar será muito maior se esse aspecto de suas vidas deixar de ser relegado ao esquecimento. Cabe ao profissional especializado justamente ajudar essas pessoas a recuperarem (ou conquistarem) sua identidade de indivíduos sexualmente ativos e felizes.

Como funciona o trabalho do sexólogo?

O trabalho do sexólogo é realizado em sessões de terapia, nas quais o paciente fala abertamente sobre seus desejos, dúvidas, problemas, bloqueios e incômodos relacionados ao sexo. Normalmente essas sessões são individuais. Quando, porém, as questões a serem trabalhadas envolvem o relacionamento a dois, as sessões também podem envolver o casal. Tudo depende de uma escolha das partes e da estratégia terapêutica adotada pelo profissional.

Concluindo…

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), para que as pessoas tenham uma boa qualidade de vida, é necessário que mantenham em equilíbrio esses quatro pilares: família, trabalho, lazer e sexo. Então, parafraseando aqueles adesivos, eu recomendo: “consulte sempre um sexólogo”. E seja feliz!

Um abraço,

Lelah Monteiro

A HIPNOSE NO TRATAMENTO DE PROBLEMAS SEXUAIS

Hoje vou responder todas essas suas questões (ou daquele seu melhor amigo, ou do marido da sua melhor amiga)! Afinal, a hipnose é ou não é indicada no tratamento de queixas de ordem sexual?

Eu digo que sim, é muito indicada! Isso porque, ao nos submetermos à hipnose clínica retornamos ao lugar de origem de nossos traumas, trazemos sua lembrança à tona e os ressignificamos.

Mas, o que é ressignificar? É dar um outro sentido à realidade vivida, experimentada e fixada em nossa memória. Não é esquecer, mas sim revesti-la de outros signos e significados. Em outras palavras, é sair do drama para a resolução desse conflito que nos congelou no tempo.

Sim, porque os traumas nos mantêm aprisionados ao passado – é como se os revivêssemos a cada momento. Isso cria bloqueios, inseguranças, incapacidade de encarar os fatos na sua real proporção. E acabamos repetindo sempre os mesmos padrões, que só reforçam cada vez mais esses sentimentos negativos. Um círculo vicioso.

É dessa forma que instalam-se as principais disfunções sexuais. Exemplificando de maneira bem simples, com o caso da tão temida impotência ou disfunção erétil: muitas vezes esse homem “falhou” (não gosto dessa palavra ) uma única vez. Mas o medo de que isso voltasse a acontecer ficou tão amalgamado em sua cabeça, que o fato acaba se repetindo. Não porque haja qualquer problema real, mas porque o cérebro está reforçando e revivendo aquele trauma a cada nova relação sexual que se apresenta.

Isso acontece na esfera dos relacionamentos, mas também com outras situações comuns de nosso dia a dia – é o caso de muitas fobias, por exemplo (medo de andar de avião, de falar em público etc.).

A indução hipnótica visa justamente desconstruir todos estes mecanismos instalados, mudar o mindset do paciente. A condução específica e comandos claros do terapeuta irão guiá-lo nesse processo. A hipnose irá agir na causa da disfunção (ainda que ela não seja consciente) e não apenas tratar os sintomas.

Ficaram curiosos? Gostariam de se submeter à hipnoterapia? Pois o primeiro passo é procurar profissionais sérios, preparados, com boas referências. Eles irão ajudá-los na reprogramação de seus cérebros. Ajudarão vocês a descobrirem a potência que são, mas que ainda não sabem.

Um abraço,
Lelah Monteiro