terapia familiar

Os riscos da codependência emocional entre pais e filhos

Não sei vocês…mas eu, cada vez que vejo as armações da personagem Celina (magistralmente interpretada pela atriz Ana Lucia Torre), da novela “Quanto Mais Vida, Melhor”, fico doidinha!!!! Cruel e manipuladora, ela fez de um tudo pra destruir o casamento do filho e, não satisfeita, continua perseguindo a ex-nora mesmo após a separação.

O que move essa mãe da ficção, mas que, em maior ou menor grau, a gente encontra em várias famílias da vida real?

Trata-se de um apego desmedido pelo filho que, sob a desculpa do amor e do desejo de proteger, se transforma numa relação de dependência e de controle excessivo. Ninguém é suficientemente bom para seu filho, e este nunca é capaz de perceber o que é melhor para si mesmo. Por essa razão, essa mãe recorre a artifícios psicológicos e à chantagem emocional para moldar a vida do filho às suas convicções do que é felicidade. Afinal, ele sozinho não conseguiria chegar lá.

Geralmente, isso resulta em filhos também dependentes, facilmente manipuláveis, incapazes de contrariar a figura materna ou paterna e que, quando o fazem, são tomados por um imenso sentimento de culpa.

Como ocorre na novela com Guilherme (vivido pelo ator Mateus Solano), na maior parte das vezes esses filhos não percebem a manipulação, e atribuem qualquer eventual deslize ao amor incondicional dos pais.

Como terapeuta de casal, presencio em meu consultório os reflexos que essa codependência tem nos relacionamentos que esses filhos terão ao longo de toda sua vida – namoros, casamentos etc.

Então, um alerta: bons pais são aqueles que dão independência emocional e que não se intrometem na vida dos filhos. O contrário disso leva a um relacionamento tóxico, abusivo e gera filhos inseguros e vacilantes.

Percebe esse padrão de comportamento em sua casa ou com pessoas próximas a você? A terapia – individual ou familiar – pode ajudar. Agende uma consulta de avaliação pelo 11 99996-3051.

Bombando nas redes: o caso Medina e Yasmin

Está dando o que falar a pausa na carreira para cuidar da saúde mental anunciada pelo surfista Gabriel Medina. O fato se deu logo após ele separar-se da esposa, a modelo Yasmin Brunet. Abalado com o rompimento, o atleta declarou: “Somado ao corpo vem a mente, que também não está na melhor fase. Venho de meses desgastantes. E eu preciso olhar para mim nesse momento e me cuidar”.

Sem dúvida, Medina tomou uma decisão acertada ao fazer uma pausa para cuidar-se. É, inclusive, o que incentiva a campanha do Janeiro Branco, que está em seus últimos dias, e sobre a qual já falei aqui. Que sirva de exemplo para outras pessoas que passam por situações semelhantes.

Mas, o que aconteceu para as coisas chegarem nesse ponto?

Como terapeuta de casais, reconheço vários fatores em comum com pacientes de meu consultório. O principal deles é a forte ingerência da família na vida do casal. Havia ali uma grande disputa de poder entre a mãe e a esposa do rapaz – perceptível, inclusive, em várias declarações vazadas à imprensa. A animosidade entre as duas era evidente. Isso, aliado ao ciúme de Yasmin, acabaram fragilizando o relacionamento, e levando à separação.

Há uma frase bastante disseminada por aí que diz que “ao casarmos com alguém, casamos também com sua família”. É uma verdade, e um perigo. É normal haver conflitos de poder, diferenças – de estilo de vida, conceitos, religiosidade etc. Dependendo da personalidade das pessoas envolvidas, a situação fica insustentável. Por isso, é importante “blindar” o relacionamento, impondo limites à interferência da família na vida do casal.

Deixar claro o espaço e o papel de cada um no cenário familiar não é uma tarefa fácil. Sempre haverá resistência, cobranças, “chantagens emocionais” (no estilo “você não me ama mais”). Mas é o melhor caminho para manter saudáveis o relacionamento familiar e o do casal.

Quando as partes envolvidas não conseguem fazer isso – por dependência emocional, sensibilidade às pressões, medo de magoar etc. – recorrer a uma terapia familiar ou de casal é uma saída. Ela pode ajudar a definir os papéis de cada um nesse enredo e, com muito diálogo (e, principalmente, muita escuta), estabelecer uma convivência harmoniosa e feliz entre todos.

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.

​Janeiro Branco: é hora de cuidar da mente e ser feliz

No mês de janeiro ainda trazemos frescas as lembranças das nossas resoluções do Ano Novo. Cuidar melhor de nós mesmos – incluindo aí a busca pelo equilíbrio, pela harmonia e pelo bem-estar físico e mental – é uma das metas mais escolhidas na virada. Foi justamente para aproveitar essa “disposição para mudar de vida” provocada pela chegada do novo ano que, em 2014, um grupo de profissionais da saúde de Minas Gerais criou uma campanha para incentivar as pessoas a buscarem o que as faz felizes. Algo que passa, necessariamente, pela valorização da saúde mental. Nascia, então, o JANEIRO BRANCO, mês voltado a conscientizar a sociedade sobre a questão do adoecimento emocional e como preveni-lo.

A campanha tornou-se mais oportuna ainda depois desses dois anos em que estamos às voltas com a pandemia de Covid-19 e suas consequências. Medo, isolamento social, rotinas quebradas, perdas de entes queridos, redução de ganhos, desemprego são razões mais do que suficientes para nos fazerem pensar com mais atenção na nossa saúde mental.

Nós estamos sofrendo. Nossos relacionamentos estão sofrendo.

É claro que cada pessoa reage diferentemente às situações. Tem limites diferentes. Mas é importante que se reconheça isso e que se peça ajuda quando necessário. Sem apelar para justificativas e adiamentos. Sem envergonhar-se. Sem achar que doença emocional é “frescura”. E a sociedade tem um papel importantíssimo nisso, quando para de subestimar as dores de origem emocional, quando não estigmatiza quem procura tratamento para elas, quando não perpetua estereótipos que atribuem fraqueza a quem sofre com doenças mentais. Não, isso não é mi-mi-mi.

Mas também não é necessário estar “no limite” para usufruir dos benefícios da terapia. Entregar-se à ela em situações de “calmaria” é um caminho para o autoconhecimento. Nos ajuda a encarar nossas inseguranças e lidar com nossas emoções. Nos faz mais fortes para atravessar as eventuais tempestades que surjam no horizonte.

Diz-se por aí que a depressão é “o mal do século XXI”. Vejo isso em meu consultório, com meus pacientes. E os números também corroboram essa fama. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão, e o país tem o maior número de pessoas ansiosas no mundo – 9,3% da população, o que equivale a cerca de 19 milhões de pessoas. Se repetíssemos esses estudos hoje, os resultados com certeza seriam ainda menos animadores. Agir com respeito a isso é urgente.

Fica aqui o convite: neste Janeiro Branco de 2022, aproveite o embalo da virada de ano e tome uma atitude em favor de si mesmo – cuide-se mais (inclusive da sua saúde emocional/mental)!

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.