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Relacionamento abusivo não é uma questão de classe social

Na semana passada, a chef Paola Carosella declarou que seu casamento havia chegado ao fim devido a comportamentos machistas e de abuso psicológico do ex-marido.

Para muita gente, isso causou surpresa. Afinal, Paola é uma mulher “empoderada”, bem-sucedida profissionalmente – muito diferente do perfil que normalmente se associa a alguém que sofra com esse tipo de problema. Mas, como ela mesma ressaltou em entrevistas que concedeu à mídia “quando você está dentro disso e ama a pessoa, você não percebe muito bem o que está acontecendo, a manipulação”.

O relacionamento abusivo não acontece somente com mulheres das camadas humildes da população, com baixo nível de instrução ou dependentes financeiramente de seus companheiros. Ser independente – no comportamento e financeiramente – e ter fama ou sucesso, também pode ser gatilho para comportamentos tóxicos e manipulação dentro do relacionamento. Como a chef declarou “(…) o meu sucesso, o fato de eu ser feliz com a vida que eu tinha. Eu faço muitas coisas e eu gosto muito das coisas que eu faço e eu acho que isso incomodava muito ele. Ele não falava isso, mas esse incômodo chegava a mim na forma como ele se expressava, de uma maneira meio manipuladora, sabe? Que fazia eu me sentir mal por aquilo (…)”.

Reconhecer os sinais desse comportamento foi difícil para Paola, assim como é para a maioria das mulheres. Fica mais fácil quando a saúde emocional é bem trabalhada, quando a autoestima está lá em cima. O que nem sempre acontece.

E do lado do homem, é preciso analisar o que motiva esse “incômodo” com o brilho da mulher. Insegurança, conceitos ultrapassados sobre virilidade? É algo que também precisa ser trabalhado.

Em ambos os casos, a terapia é um caminho a se procurar. Seja ela individual, seja ela de casal. Como psicoterapeuta e sexóloga, vejo os resultados em meu consultório, com meus pacientes.

Abrir os olhos – para si mesmo, para o relacionamento, para o parceiro – é a melhor forma de não ferir, nem se deixar ser ferido pelo outro. De saber até que ponto vale insistir no caminho a dois; ou quando é melhor seguir sozinho.

Abs.
Lelah Monteiro
(se estiver passando por uma situação parecida e quiser experimentar uma terapia, entre em contato comigo pelo Whatsapp 11 99996-3051)

Os riscos da codependência emocional entre pais e filhos

Não sei vocês…mas eu, cada vez que vejo as armações da personagem Celina (magistralmente interpretada pela atriz Ana Lucia Torre), da novela “Quanto Mais Vida, Melhor”, fico doidinha!!!! Cruel e manipuladora, ela fez de um tudo pra destruir o casamento do filho e, não satisfeita, continua perseguindo a ex-nora mesmo após a separação.

O que move essa mãe da ficção, mas que, em maior ou menor grau, a gente encontra em várias famílias da vida real?

Trata-se de um apego desmedido pelo filho que, sob a desculpa do amor e do desejo de proteger, se transforma numa relação de dependência e de controle excessivo. Ninguém é suficientemente bom para seu filho, e este nunca é capaz de perceber o que é melhor para si mesmo. Por essa razão, essa mãe recorre a artifícios psicológicos e à chantagem emocional para moldar a vida do filho às suas convicções do que é felicidade. Afinal, ele sozinho não conseguiria chegar lá.

Geralmente, isso resulta em filhos também dependentes, facilmente manipuláveis, incapazes de contrariar a figura materna ou paterna e que, quando o fazem, são tomados por um imenso sentimento de culpa.

Como ocorre na novela com Guilherme (vivido pelo ator Mateus Solano), na maior parte das vezes esses filhos não percebem a manipulação, e atribuem qualquer eventual deslize ao amor incondicional dos pais.

Como terapeuta de casal, presencio em meu consultório os reflexos que essa codependência tem nos relacionamentos que esses filhos terão ao longo de toda sua vida – namoros, casamentos etc.

Então, um alerta: bons pais são aqueles que dão independência emocional e que não se intrometem na vida dos filhos. O contrário disso leva a um relacionamento tóxico, abusivo e gera filhos inseguros e vacilantes.

Percebe esse padrão de comportamento em sua casa ou com pessoas próximas a você? A terapia – individual ou familiar – pode ajudar. Agende uma consulta de avaliação pelo 11 99996-3051.

Extra, extra! As mulheres vão embora.

Deparei-me por esses dias com este texto da Martha Medeiros, e imediatamente me lembrei de tantas mulheres que passam pelo meu consultório, ou compartilham comigo suas dúvidas e problemas através do programa Terapia em Família, na Rádio Capital. Essas palavras são pra vocês, minhas queridas!!!

Abs.
Lelah Monteiro
11 99996-3051


As mulheres vão embora

“Toda mulher tem um homem que se foi”. Assim começa um poema que escrevi cerca de 20 anos atrás, reforçando a ideia de que eles saem para comprar cigarro e esquecem de voltar.

A sociedade sempre aceitou como natural a figura do homem que um dia se enrabicha por outra e abandona a família, ou, dizendo de forma menos cafajeste, a do homem que deixa de amar a esposa e reconstrói sua vida.

Pertencia só a eles a liberdade de ir e vir.
Tinham dinheiro no bolso e eram donos de seus narizes: às mulheres restavam as lágrimas e uma pensão para os filhos, tivessem um bom advogado.

Hoje, as mulheres também vão embora.
Não precisam alegar que irão comprar cigarro na esquina, a sinceridade é mais saudável: elas se vão porque a relação se desgastou, se vão para escapar de um parceiro agressivo, se vão porque se apaixonaram por outro, se vão porque evoluíram profissionalmente e novas oportunidades surgiram.

Se vão porque assim decidiram.
Diante da secular hegemonia masculina, nossa independência ainda é uma novidade, nem todos se acostumaram.

Mas homens esclarecidos e sagazes nos respeitam.
Sofrem, como nós sofremos com a partida deles.
Choram. A dor da perda é a mesma.
Vez que outra, os mais inconsoláveis rogam praga: “você vai ficar sozinha para o resto da vida!”.

Cuidado. Em vez de inibi-la, a ameaça poderá entusiasmá-la: o que não falta é mulher sonhando em sair de uma relação para viver só para seus livros, filmes e amigos, livre como o vento soprando nas montanhas.

Pena que não há poesia na ignorância.
Uma mulher que se vai, para muitos, é uma afronta.

Homens mal preparados para a igualdade não sabem lidar com a rejeição.
Em vez de buscarem uma terapia para ajudar, eles buscam a arma que escondem em cima do armário, buscam uma faca na gaveta da cozinha e aumentam os índices de feminicídio. É só ler os jornais, acompanhar as estatísticas. É sempre a mesma razão banal: matou porque ela teve a audácia de largá-lo.

Extra, extra! As mulheres vão embora.
Ganham o próprio salário e vão embora.
Leem, se informam, se unem, se reconhecem em outras mulheres, e se for necessário, vão embora.
São mães e vão embora sem fugir de suas responsabilidades: estão protegendo os filhos de um ambiente hostil.
Amaram seus homens, foram felizes com eles, e quando deixaram de ser, foram embora.

Nada de novo, é o que os homens sempre fizeram.
Novidade seria se eles fossem assassinados por causa disso.

Eduquemos bem nossos meninos de 8, de 10, de 15 anos: mulheres não são propriedade alheia, elas vão embora.

Cientes dessa realidade, quando adultos eles se tornarão os melhores companheiros, os mais inteligentes, os mais amorosos, aqueles que darão a suas parceiras todos os motivos para ficar.

(Martha Medeiros)

​Janeiro Branco: é hora de cuidar da mente e ser feliz

No mês de janeiro ainda trazemos frescas as lembranças das nossas resoluções do Ano Novo. Cuidar melhor de nós mesmos – incluindo aí a busca pelo equilíbrio, pela harmonia e pelo bem-estar físico e mental – é uma das metas mais escolhidas na virada. Foi justamente para aproveitar essa “disposição para mudar de vida” provocada pela chegada do novo ano que, em 2014, um grupo de profissionais da saúde de Minas Gerais criou uma campanha para incentivar as pessoas a buscarem o que as faz felizes. Algo que passa, necessariamente, pela valorização da saúde mental. Nascia, então, o JANEIRO BRANCO, mês voltado a conscientizar a sociedade sobre a questão do adoecimento emocional e como preveni-lo.

A campanha tornou-se mais oportuna ainda depois desses dois anos em que estamos às voltas com a pandemia de Covid-19 e suas consequências. Medo, isolamento social, rotinas quebradas, perdas de entes queridos, redução de ganhos, desemprego são razões mais do que suficientes para nos fazerem pensar com mais atenção na nossa saúde mental.

Nós estamos sofrendo. Nossos relacionamentos estão sofrendo.

É claro que cada pessoa reage diferentemente às situações. Tem limites diferentes. Mas é importante que se reconheça isso e que se peça ajuda quando necessário. Sem apelar para justificativas e adiamentos. Sem envergonhar-se. Sem achar que doença emocional é “frescura”. E a sociedade tem um papel importantíssimo nisso, quando para de subestimar as dores de origem emocional, quando não estigmatiza quem procura tratamento para elas, quando não perpetua estereótipos que atribuem fraqueza a quem sofre com doenças mentais. Não, isso não é mi-mi-mi.

Mas também não é necessário estar “no limite” para usufruir dos benefícios da terapia. Entregar-se à ela em situações de “calmaria” é um caminho para o autoconhecimento. Nos ajuda a encarar nossas inseguranças e lidar com nossas emoções. Nos faz mais fortes para atravessar as eventuais tempestades que surjam no horizonte.

Diz-se por aí que a depressão é “o mal do século XXI”. Vejo isso em meu consultório, com meus pacientes. E os números também corroboram essa fama. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão, e o país tem o maior número de pessoas ansiosas no mundo – 9,3% da população, o que equivale a cerca de 19 milhões de pessoas. Se repetíssemos esses estudos hoje, os resultados com certeza seriam ainda menos animadores. Agir com respeito a isso é urgente.

Fica aqui o convite: neste Janeiro Branco de 2022, aproveite o embalo da virada de ano e tome uma atitude em favor de si mesmo – cuide-se mais (inclusive da sua saúde emocional/mental)!

Abs.

Lelah Monteiro

Psicanalista, sexóloga e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta individual, de casais, de família e sexual. Atende presencial e online. Agendamentos: 11 99996-3051.